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Como o Japão integra BIM, robótica e realidade aumentada na construção civil

O futuro da construção já começou e o Japão mostra como a integração entre BIM, robôs e realidade aumentada pode transformar obras em ambientes inteligentes, mais seguros e eficientes.

Enquanto o mercado global ainda enfrenta desafios na digitalização da construção, o Japão está liderando iniciativas que combinam automação, escassez de mão de obra e tecnologia de ponta. 

O resultado são canteiros mais enxutos, decisões baseadas em dados e um novo padrão para a engenharia civil do século XXI.

Por que o Japão apostou nessa integração?

Um dos principais motivadores dessa transformação tecnológica é o envelhecimento acelerado da população japonesa. 

A escassez de mão de obra qualificada fez com que o país buscasse alternativas inteligentes para manter a produtividade sem comprometer a qualidade e é aí que o BIM, os robôs e a realidade aumentada entram como aliados estratégicos.

Segundo o Instituto de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada do Japão, a combinação dessas tecnologias não é apenas uma tendência: é uma solução concreta para desafios reais, como segurança no trabalho, precisão na execução e maior controle de prazos e custos.

Aplicações práticas: robôs e RA guiados por BIM

O Japão já apresenta casos reais dessa integração. Um exemplo notável é o HRP-5P, robô humanóide capaz de executar tarefas de construção, como a instalação de placas de drywall. 

Equipado com sensores e sistemas de detecção de objetos, o robô opera com base em modelos BIM, interpretando o ambiente e realizando ações com precisão milimétrica.

Além disso, a realidade aumentada tem sido amplamente utilizada em obras, permitindo que engenheiros e operários visualizem o projeto diretamente no espaço físico com o auxílio de dispositivos como óculos de RA. 

Isso facilita a compreensão do projeto, reduz erros e melhora o alinhamento entre modelagem e execução.

Outro recurso em destaque são os sensores acoplados ao canteiro que, conectados ao modelo BIM, fornecem dados em tempo real sobre o andamento da obra, criando uma ponte entre o mundo físico e digital, os chamados gêmeos digitais.

O BIM como elo entre tecnologias

Nada disso seria possível sem um modelo BIM estruturado. Ele atua como um “hub” central de informações, integrando dados geométricos, temporais e operacionais que alimentam tanto os robôs quanto os dispositivos de RA. 

Ou seja, o BIM não é apenas uma representação visual do projeto, é a linguagem comum que conecta todas as tecnologias envolvidas.

Essa centralização de dados permite:

  • Coordenação precisa entre disciplinas;
  • Monitoramento automatizado de etapas;
  • Redução de retrabalhos e acidentes;
  • Decisões técnicas mais seguras, baseadas em informações confiáveis.

E o que o Brasil pode aprender com isso?

Ainda que o contexto seja diferente, o Brasil tem muito a absorver da experiência japonesa. O principal aprendizado está na estrutura: sem padronização de processos e modelos claros, a tecnologia vira só mais uma ferramenta subutilizada.

Muitas empresas brasileiras já utilizam BIM, mas poucas possuem fluxos bem definidos, templates consistentes ou nomenclaturas organizadas. 

Esse gargalo impede a adoção de inovações como RA, sensores ou automação de tarefas.

Antes de falar em robôs, é preciso falar em processo. Antes de investir em dispositivos, é necessário consolidar uma cultura digital dentro das equipes.

O futuro começa com o básico bem feito

O Japão mostra que o futuro da construção passa por tecnologia, sim, mas só é viável com processos bem definidos e integração real entre projeto e execução.

No Brasil, o primeiro passo não está nos robôs, mas em garantir que o BIM seja mais do que modelagem: que ele seja o cérebro da operação.

E isso começa com clareza, estrutura e acompanhamento.

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