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BIM dá mais trabalho no começo porque exige estrutura, não improviso. Entenda por que essa percepção surge e o que realmente muda na implantação.

A pergunta é comum em reuniões, treinamentos e conversas internas: “BIM dá mais trabalho no começo?”

A resposta honesta é: sim, pode parecer que dá mais trabalho. Mas não pelo motivo que você imagina.

O que muitas empresas interpretam como “aumento de trabalho”, na verdade, é um choque entre dois mundos: o modelo tradicional, baseado em esforço reativo, e o modelo digital, baseado em estrutura, antecipação e integração.

Neste artigo, vamos entender por que essa percepção surge, o que realmente aumenta no início da implantação BIM e, principalmente, o que muda quando a maturidade do processo evolui.

Por que parece que o BIM dá mais trabalho no começo?

Quando uma empresa começa a implementar BIM, algumas mudanças acontecem simultaneamente:

  • É preciso definir padrões;
  • É necessário estruturar templates;
  • Decisões precisam ser tomadas mais cedo;
  • O modelo passa a concentrar informações que antes estavam dispersas;
  • A equipe precisa aprender novas ferramentas e fluxos.

Naturalmente, isso gera a sensação de esforço adicional. Mas existe um ponto central aqui: o BIM revela a complexidade que já existia.

Antes do BIM, muitos problemas eram diluídos ao longo do ciclo do projeto. Erros apareciam na obra. Conflitos eram resolvidos no campo. Revisões aconteciam tardiamente.

O esforço já existia, mas estava distribuído de forma menos visível.

Quando o BIM entra em cena, ele antecipa decisões e concentra responsabilidades no início do processo. 

Isso gera uma percepção de aumento de carga, mas, na prática, trata-se de uma redistribuição do esforço ao longo do ciclo do projeto.

O que realmente aumenta na implantação BIM?

É importante separar percepção de realidade. Na fase inicial de implementação BIM, alguns fatores realmente exigem mais atenção:

1. Estruturação de padrões

Definir nomenclaturas, níveis de detalhamento (LOD), parâmetros, bibliotecas e templates exige planejamento.

2. Organização do fluxo de informação

A criação de um CDE (Ambiente Comum de Dados), definição de responsabilidades e padronização de entregas demanda coordenação e alinhamento.

3. Treinamento e curva de aprendizado

Nenhuma equipe nasce madura digitalmente. Aprender a modelar com inteligência informacional é diferente de simplesmente desenhar em 3D.

4. Antecipação de decisões

No modelo tradicional, muitas decisões são empurradas para a frente. No BIM, decisões precisam ser tomadas antes, exigindo maior clareza técnica no início.

Tudo isso gera esforço. Mas há uma diferença fundamental entre esforço estrutural e retrabalho.

BIM dá mais trabalho ou antecipa o trabalho?

Quando uma empresa trabalha predominantemente em 2D ou com processos pouco estruturados, o retrabalho costuma acontecer em três momentos:

Esse retrabalho tem custo alto, impacto em prazo e desgaste entre equipes.

O BIM desloca parte desse esforço para o início, quando ainda é possível corrigir com menor impacto financeiro.

Ou seja: o BIM não aumenta o trabalho. Ele antecipa o trabalho que antes era pago na obra.

Essa antecipação exige maturidade organizacional. Sem ela, o processo parece pesado, burocrático e lento.

Quando a falta de maturidade transforma o BIM em sobrecarga?

Existe um cenário em que a percepção de “mais trabalho” se torna real: quando o BIM é tratado apenas como software.

Alguns erros comuns na implantação BIM:

  • Implementar ferramenta sem revisar processo;
  • Não mobilizar liderança estratégica;
  • Não definir governança clara;
  • Depender de pessoas-chave para manter o fluxo funcionando;
  • Ignorar cultura e capacitação da equipe.

Nesses casos, a empresa adiciona uma camada digital sobre um processo desorganizado. O resultado é sobrecarga.

O problema, então, não é o BIM. É a ausência de maturidade digital.

O papel da maturidade BIM nessa percepção

A maturidade BIM não se resume à capacidade de modelar bem. Ela envolve quatro dimensões fundamentais:

  1. Prontidão estratégica digital;
  2. Cultura e capacidades digitais;
  3. Infraestrutura e inteligência de dados;
  4. Processos eficientes e integrados.

Quando esses pilares estão desalinhados, qualquer nova metodologia parece pesada.

Empresas em estágio analógico ou principiante digital tendem a sentir mais impacto inicial, porque precisam reorganizar estrutura, cultura e fluxo de informação ao mesmo tempo.

Já empresas com maturidade intermediária ou avançada conseguem absorver o BIM como evolução natural, não como ruptura traumática.

O que diminui depois que o processo amadurece?

À medida que o processo se consolida, os ganhos tornam-se visíveis:

  • Redução significativa de retrabalho;
  • Maior previsibilidade de prazo e custo;
  • Melhor comunicação entre disciplinas;
  • Menos decisões reativas;
  • Maior rastreabilidade de informações;
  • Redução da dependência de indivíduos específicos.

O esforço inicial se transforma em estabilidade operacional.

O que antes parecia “mais trabalho” passa a ser reconhecido como organização estruturada.

A falsa sensação de produtividade

Existe ainda outro fator psicológico envolvido. No modelo tradicional, produzir rapidamente desenhos e planilhas gera sensação de produtividade.

Mesmo que esses documentos precisem ser revisados várias vezes depois.

O BIM exige planejamento antes da produção. E planejamento raramente parece produtivo no curto prazo.

A diferença entre velocidade e eficiência costuma se tornar evidente apenas quando analisamos o ciclo completo do projeto.

BIM e transformação digital no setor AEC

No contexto da transformação digital da construção civil, o BIM é apenas uma das ferramentas.

A verdadeira mudança está na forma como a informação é estruturada, integrada e utilizada para tomada de decisão.

Empresas que entendem o BIM como ativo estratégico, e não apenas como exigência contratual, tendem a perceber menos fricção no início.

Porque o objetivo deixa de ser “modelar” e passa a ser “gerenciar informação”.

Então, BIM dá mais trabalho no começo?

A resposta mais precisa é: o BIM exige mais clareza no começo.

Ele exige:

  • Definição de processo;
  • Padronização;
  • Planejamento;
  • Governança;
  • Compromisso da liderança.

Sem isso, a implantação realmente se torna pesada.

Sendo assim, o esforço inicial se transforma em base estruturada para crescimento sustentável.

O que fazer se sua equipe sente que o BIM está “dando mais trabalho”?

Essa percepção não deve ser ignorada. Ela pode indicar:

  • Falta de alinhamento estratégico;
  • Processos ainda não estruturados;
  • Ausência de governança clara;
  • Capacitação insuficiente;
  • Falta de maturidade organizacional.

Antes de questionar a metodologia, é importante avaliar o estágio de maturidade da empresa.

O problema raramente está na ferramenta. Geralmente está no processo.

Esforço inicial ou investimento estrutural?

O BIM pode parecer mais trabalhoso no começo porque ele desloca o esforço para onde ele deveria estar: no planejamento e na estruturação.

Empresas que atravessam essa fase com clareza e método colhem ganhos estruturais ao longo do tempo.

As que tentam acelerar sem base acabam reforçando a percepção de sobrecarga.

A maturidade digital no setor AEC começa na clareza de processos.

Se sua empresa está enfrentando dificuldades na implantação BIM ou sente que o esforço inicial está acima do esperado, talvez o próximo passo não seja trocar de ferramenta, mas estruturar melhor o processo.

Quer saber se o BIM está “dando mais trabalho” ou se o seu processo ainda não está estruturado?

Antes de questionar a metodologia, vale diagnosticar o estágio atual do seu processo.

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