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BIM para gestores: o que você precisa saber antes de implementar na sua empresa

Saiba quais são os pontos que toda empresa deveria avaliar antes de tomar sua decisão.

Implementar BIM é mudar a forma como a sua empresa toma decisões e isso é o que os gestores mais subestimam antes de começar.

Se você está avaliando adotar BIM, provavelmente já ouviu falar de redução de retrabalho, mais precisão no orçamento e ganho de produtividade. 

Tudo isso é real, mas a decisão de implementar não deveria ser tomada só com base nesses benefícios genéricos.

Ela precisa considerar o que muda na rotina da sua equipe, quanto isso custa de fato e onde a maioria das empresas erra nesse processo.

Por isso, reunimos neste conteúdo tudo o que um gestor precisa avaliar antes de dar o sinal verde para o BIM.

O que é BIM para uma empresa de construção?

BIM (Building Information Modeling) é um processo de trabalho colaborativo em que todas as disciplinas de um projeto — arquitetura, estrutura, instalações — compartilham um único modelo digital com informações reais: quantitativos, custos, prazos, especificações de materiais.

Isso significa que um gestor passa a ter acesso a dados consistentes para tomar decisões, em vez de depender de planilhas paralelas, plantas desatualizadas e retrabalho de compatibilização entre projetos.

A diferença para quem gerencia é que o BIM transforma informação de obra em algo rastreável e auditável, não em conhecimento que está só na cabeça de um engenheiro ou arquiteto específico.

Quanto custa implementar BIM em uma construtora?

Não existe um número fixo. O investimento varia conforme o tamanho da equipe, o nível de maturidade BIM que a empresa quer atingir e se a implementação será interna ou com apoio de consultoria especializada. 

Mas três blocos de custo aparecem em praticamente todos os projetos de implementação:

  • Software e infraestrutura: licenças de modelagem, plataformas de coordenação e, em alguns casos, upgrade de hardware das estações de trabalho;
  • Capacitação da equipe: treinamento técnico nas ferramentas e, principalmente, na nova lógica de trabalho colaborativo (esse é o item mais subestimado em orçamentos iniciais);
  • Consultoria e estruturação de processos: definição de padrões, fluxos de trabalho (workflows) e plano de implementação (BEP), seja com equipe interna dedicada, seja com parceiro externo.

O erro mais comum de gestor nessa conta é tratar BIM como custo de ferramenta, quando o maior investimento está na mudança de processo e na capacitação, não na licença de software.

Quais os principais erros ao implementar BIM?

Depois de acompanhar diagnósticos de implementação em empresas de diferentes portes, alguns padrões de erro se repetem:

Tratar BIM como projeto de TI, não como mudança de processo

Quando a implementação fica restrita à equipe de projetos ou modelagem, sem envolver gestão de obra, suprimentos e planejamento, o BIM vira só um “desenho mais bonito” e a empresa não captura o ganho real de coordenação e dados.

Pular a etapa de diagnóstico

Implementar sem mapear primeiro a maturidade atual da empresa, como processos, ferramentas, nível de digitalização do time, leva a escolhas de software e fluxo desalinhadas com a realidade operacional.

Não definir padrões antes de modelar

Sem um plano de execução BIM (BEP) claro, cada projeto cria seu próprio padrão de nomenclatura, nível de detalhe e organização de arquivos. 

O resultado é um modelo difícil de auditar e quase impossível de escalar para outros projetos.

Subestimar a resistência cultural

Equipes acostumadas a um fluxo de trabalho consolidado não mudam de comportamento só porque uma nova ferramenta foi comprada. 

Sem liderança ativa do gestor nesse processo, a adoção trava na prática, mesmo com o software já implantado.

BIM é obrigatório no Brasil?

Sim, em parte. Desde 2021, o Decreto n.º 10.306 instituiu a estratégia BIM BR, tornando o uso de BIM obrigatório para obras públicas contratadas pela administração federal direta, conforme cronograma progressivo por tipo de obra e órgão contratante. 

Para o setor privado, ainda não há obrigatoriedade legal, mas a exigência de BIM em editais públicos e a crescente demanda de incorporadoras e fundos de investimento por mais previsibilidade têm tornado a adoção uma vantagem competitiva, e não apenas uma exigência regulatória.

Como avaliar se a sua empresa está pronta para implementar BIM?

Antes de contratar consultoria ou comprar licença, vale responder três perguntas internamente:

  1. Existe um responsável claro pela implementação? BIM sem dono do processo dentro da empresa tende a parar na etapa de piloto.
  2. A equipe de obra e suprimentos vai usar o modelo, ou só a equipe de projetos? Se a resposta é só projetos, o retorno sobre o investimento será parcial.
  3. A empresa tem capacidade de sustentar a mudança por pelo menos 2 a 3 projetos completos? Resultados de BIM aparecem com consistência de uso, não em um piloto isolado.

Se a resposta para alguma dessas perguntas for “não sei”, esse é exatamente o ponto de partida: um diagnóstico de maturidade BIM antes de qualquer decisão de compra de ferramenta.

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