Maturidade digital é a capacidade organizacional de operar com processos digitais integrados no setor AEC. Entenda os estágios, avalie sua realidade atual e saiba como avançar com clareza.
A maturidade digital tem se tornado um dos temas centrais para empresas do setor AEC. Além de adotar novas tecnologias, ela representa a capacidade de uma organização em estruturar processos, integrar informações e tomar decisões com base em dados confiáveis.
No entanto, a maturidade digital não acontece de uma vez e nem de forma igual para todas as empresas. Algumas ainda operam em fluxos majoritariamente analógicos, enquanto outras já utilizam modelos digitais e governança integrada como parte da estratégia do negócio.
Neste artigo, apresentamos 5 estágios da maturidade digital, contextualizados para o setor AEC. Eles não formam um ranking, mas um diagnóstico.
Cada estágio reflete uma realidade possível e ajuda a entender onde a empresa está hoje e qual é o próximo passo mais seguro.
O que é a maturidade digital no setor AEC?
É a capacidade da empresa em estruturar pessoas, processos, tecnologias e dados para tomar decisões melhores, reduzir riscos e aumentar a previsibilidade ao longo de todo o ciclo de vida de um projeto.
De forma prática, uma empresa digitalmente madura é aquela que:
- não depende de esforços individuais para funcionar;
- possui processos claros e replicáveis;
- integra informações entre disciplinas, áreas e fases do projeto;
- utiliza dados confiáveis para planejar, decidir e corrigir rotas.
A Pesquisa Nacional de Maturidade Digital – Incorporadoras e Construtoras 2025 reforça esse ponto ao mostrar que o maior desafio do setor não está na falta de tecnologia disponível, mas na dificuldade de transformar intenção estratégica em operação integrada.
Por que maturidade digital importa no setor AEC?
O setor AEC lida com projetos complexos, múltiplos stakeholders, prazos rígidos e alto impacto financeiro. Nesse contexto, a maturidade digital deixa de ser diferencial e passa a ser fator de sobrevivência.
Empresas mais maduras digitalmente conseguem:
- reduzir retrabalho e conflitos de obra;
- aumentar previsibilidade de prazo e custo;
- tomar decisões antecipadas, não reativas;
- escalar operações com mais controle;
- sustentar crescimento com menos risco.
É a partir desse entendimento que faz sentido falar em estágios de maturidade digital, não como uma competição, mas como um mapa de evolução possível e consciente.
Maturidade digital não é sinônimo de BIM
Embora o BIM seja um dos pilares da digitalização no AEC, ele não garante maturidade digital por si só.
É comum encontrar empresas que:
- possuem modelos 3D, mas decidem com base em planilhas paralelas;
- aplicam BIM apenas na fase de projeto;
- dependem de pessoas-chave para manter os processos funcionando.
Nesses casos, existe digitalização pontual, mas não maturidade.
A maturidade digital surge quando o BIM opera dentro de um sistema estruturado, conectado a governança, padrões corporativos, fluxo de informação confiável e visão estratégica do negócio.
Como a maturidade digital das empresas é avaliada?
A Pesquisa Nacional de Maturidade Digital – Incorporadoras e Construtoras 2025 utiliza um modelo multidimensional, desenvolvido a partir de referências internacionais e adaptado à realidade brasileira.
Esse modelo avalia as empresas a partir de quatro eixos de análise, medidos por meio de cinco estágios de maturidade digital, aplicáveis de forma transversal a todos os eixos.
Os quatro eixos de análise
1. Prontidão estratégica digital
Avalia se a digitalização está integrada à estratégia de longo prazo da empresa, se há liderança mobilizada, recursos alocados e mecanismos de governança capazes de sustentar a transformação.
2. Cultura e capacidades digitais
Avalia o preparo cultural da organização, o desenvolvimento de competências digitais, a autonomia das equipes e a capacidade de sustentar mudanças no tempo.
3. Infraestrutura digital e inteligência de dados
Avalia a existência de recursos tecnológicos seguros, conectados e bem geridos, bem como a capacidade de transformar dados em informação confiável para decisão.
4. Processos eficientes e integrados
Avalia o grau de digitalização e integração dos processos críticos do negócio, com foco em colaboração, automação e uso efetivo de dados.
Os resultados da pesquisa indicam que, embora o eixo de prontidão estratégica apresente melhor desempenho relativo, o eixo de processos eficientes e integrados é o maior gargalo operacional do setor, evidenciando a lacuna entre visão e execução
Os 5 estágios de maturidade digital
A avaliação da maturidade digital ocorre por meio de uma escala única de cinco estágios, aplicada a todos os eixos.
Esses estágios representam um caminho evolutivo, e não uma classificação fixa ou ranking entre empresas.
Estágio 1 – Analógico
Neste estágio, a empresa opera com processos predominantemente manuais ou pouco integrados. As informações estão distribuídas em pranchas 2D, planilhas isoladas, e-mails e pastas locais.
A digitalização não faz parte da estratégia e existe resistência cultural à mudança.
Principais características:
- processos manuais e pouco padronizados;
- gestão baseada em experiência individual;
- baixa adoção tecnológica;
- liderança não mobilizada para a agenda digital.
Riscos comuns:
- alto índice de retrabalho;
- baixa previsibilidade de prazos e custos;
- dificuldade em escalar projetos e equipes.
Importante
Estar neste estágio não significa falta de competência técnica. Muitas empresas entregam bons projetos, mas com alto esforço operacional e riscos que só aparecem na obra.
Estágio 2 – Principiante Digital
Neste estágio, a empresa reconhece a importância da transformação digital, mas atua de forma reativa e fragmentada. As iniciativas surgem de esforços individuais, sem coordenação institucional.
Principais características:
- adoção isolada de ferramentas;
- ausência de padrões e governança;
- dependência de pessoas-chave;
- práticas digitais informais.
Riscos comuns:
- sensação falsa de maturidade digital;
- modelos que não se conversam;
- pouco ganho real de eficiência.
Neste estágio, a tecnologia já chegou, mas o processo ainda não acompanhou.
Estágio 3 – Intermediário Digital
A organização começa a estruturar soluções digitais mais recorrentes e parcialmente integradas. Os processos ainda não são plenamente conectados, mas há ganhos iniciais de eficiência.
Principais características:
- processos parcialmente formalizados;
- integração limitada entre áreas;
- uso recorrente de ferramentas digitais;
- primeiros indicadores operacionais.
Estágio 4 – Avançado
Neste estágio, a digitalização está consolidada dentro das áreas funcionais. Os processos são geridos digitalmente e os dados passam a apoiar decisões de forma consistente.
Principais características:
- processos integrados por área;
- uso tático de dados e automações;
- cultura digital fortalecida;
- ganhos previsíveis de eficiência.
Ganhos estratégicos:
- maior previsibilidade de prazo e custo;
- menos decisões reativas;
- comunicação mais clara entre stakeholders.
Aqui, a maturidade digital começa a impactar diretamente os resultados do negócio.
Estágio 5 – Liderança Digital
O estágio mais avançado representa a integração digital plena ao nível corporativo. Os dados são interoperáveis, governados e utilizados de forma estratégica e preditiva.
Principais características:
- BIM como ativo estratégico;
- padronização corporativa;
- integração entre áreas e sistemas;
- liderança orientada por evidências;
- governança digital consolidada;
- inovação contínua como prática organizacional.
Poucas empresas estão totalmente neste estágio e isso é natural. Liderança digital é um processo contínuo, não um ponto final.
Em resumo, uma mesma empresa pode estar em estágios diferentes em cada eixo de análise. A maturidade digital é, portanto, um diagnóstico multidimensional, não uma nota única.
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Por que maturidade digital não é ranking?
A maturidade digital não deve ser tratada como uma competição. Forçar saltos de estágio pode gerar frustração, desperdício de investimento e resistência interna.
O avanço sustentável depende de diagnóstico realista, priorização correta e evolução consistente dos eixos mais críticos para cada organização.
O caminho mais seguro é:
- Diagnosticar com clareza onde a empresa está;
- Estruturar o próximo passo possível;
- Evoluir com consistência.
É exatamente nesse ponto que uma consultoria especializada faz diferença. A Cadbim é o parceiro ideal para caminhar com a sua empresa nesse processo.
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A maturidade digital no setor AEC não começa no software, começa na clareza de processos.
Entender os estágios ajuda empresas a tomarem decisões mais conscientes, reduzirem riscos e evoluir com segurança.
Se você quer entender em que estágio sua empresa está hoje e quais são os próximos passos, fale com a Cadbim.
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